Trump propõe acesso dos EUA a Ucrânia em troca de apoio militar. Zelesnky afima alinhamento à estratégia de Kiev para fortalecer laços com Washington.

Por Edoardo Pacelli

Nesta foto de 7 de dezembro de 2024, o presidente francês Emmanuel Macron (C), o presidente eleito dos EUA, Donald Trump (R) e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky são vistos após sua reunião em Paris, França. O presidente francês, Emmanuel Macron, realizou no sábado uma reunião trilateral com o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro decorreu antes da cerimónia de inauguração da restaurada Catedral de Notre Dame, em Paris, para a qual foram convidados dezenas de chefes de Estado e de Governo. (Xinhua/Henri Szwarc) (rtg) (da)

O presidente Donald Trump disse recentemente que queria chegar a um acordo que concedesse aos Estados Unidos acesso aos recursos de terras raras da Ucrânia, em troca da continuação da ajuda militar e econômica a Kiev, que está lutando contra a invasão russa.

A proposta parece estar alinhada com a estratégia que a Ucrânia desenvolveu para fortalecer os laços com o governo Trump, permitindo aos Estados Unidos acesso a minerais essenciais usados em indústrias de alta tecnologia.

A questão das matérias-primas críticas tornou-se uma ferramenta de “diplomacia de recursos”. Ultimamente, de fato, Trump expressou sua intenção de condicionar a manutenção do apoio militar à Ucrânia — apoio que o próprio Trump destacou ser muito superior ao de outros aliados — ao acesso dos EUA às reservas de terras raras da Ucrânia. O presidente dos EUA declarou: “Estamos tentando fazer um acordo em que os ucranianos garantam, para o futuro, o que lhes damos, em troca de terras raras e outros produtos naturais. Estamos investindo centenas de bilhões de dólares para ajudar a defender o país deles. A Ucrânia tem grandes reservas de terras raras. E eu quero a segurança das terras raras, e eles estão dispostos a chegar a um acordo.”

O presidente dos EUA, Donald Trump, quer, em última análise, um acordo que conceda aos Estados Unidos acesso aos recursos de terras raras da Ucrânia.

O jornal Financial Times citou uma pessoa próxima ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, opinando que as declarações de Trump “parecem estar alinhadas com o ‘plano de vitória’ apresentado a ele no outono”, acrescentando que a Ucrânia ofereceu a Trump “condições especiais” para cooperação em recursos, enfatizando a necessidade de protegê-los da Rússia e do Irã. “É claro que estamos prontos para trabalhar com a América”, acrescentou a pessoa.

Zelensky apresentou um rascunho do plano a Trump, em Nova York, em setembro passado, durante a campanha eleitoral dos EUA.

O projeto inclui o compartilhamento de recursos naturais essenciais com parceiros ocidentais, a substituição de tropas americanas na Europa por forças ucranianas e a oferta de poderes de controle de investimentos a Trump, para bloquear interesses comerciais chineses na Ucrânia.

Kiev, de fato, possui vastas reservas de titânio, minério de ferro e carvão, bem como aproximadamente 500.000 toneladas de lítio inexplorado, com um valor total estimado em dezenas de trilhões de dólares.

Alguns desses recursos correm o risco de serem perdidos devido ao avanço das forças russas no leste da Ucrânia ou já caíram sob ocupação russa.

O ex-chefe da agência estatal da Ucrânia para reabilitação e desenvolvimento de infraestrutura, Mustafa Nayyem, declarou recentemente: “O controle sobre os recursos minerais se tornou parte da guerra.” “O país não está apenas a lutar pelo seu território”, acrescentou, “mas também pelo direito de gerir a sua riqueza estratégica, o que pode ser um fator crucial na sua recuperação.”

Trump prometeu acabar rapidamente com a guerra da Rússia contra a Ucrânia. Ele havia dito anteriormente que seu governo havia mantido conversas “muito sérias” com a Rússia sobre a guerra.

“Fizemos muitos progressos em relação à Rússia e à Ucrânia”, afirmou Trump na semana passada. “Vamos ver o que acontece. Vamos parar essa guerra ridícula.”

Embora apoiasse o entusiasmo de Trump em acabar com a guerra de três anos, a sugestão do líder americano de que ele havia formulado parte de um plano com a Rússia, sem a Ucrânia, irritou os líderes de Kiev.

Em declarações à Associated Press, Zelensky afirmou que sua equipe conversou com os assessores de Trump e espera reuniões presenciais em breve. Mais tarde, ele acrescentou: “Eles podem ter suas próprias relações, mas falar sobre a Ucrânia sem nós é perigoso para todos.”

Edoardo Pacelli é jornalista, ex-diretor de pesquisa do CNR (Itália), editor da revista Italiamiga e vice-presidente do Ideus.