Giorgia Meloni enfatiza a necessidade de um comitê ágil na UE em sua declaração após a reunião em Alden Diesen
Por Edoardo Pacelli

Giorgia Meloni (foto: Xinhua/Alberto Lingria)
Após a importante reunião, realizada no Castelo de Alden Diesen, na Bélgica, Giorgia Meloni declarou que “a presença do motor ítalo-alemão […] existe e representa uma objetividade positiva, mas não é algo que se faça contra ninguém”. O resultado político da reunião informal dos chefes de Estado e de Governo da UE, que aconteceu em Alden Biesen, é a pré-cúpula dos chefes de governo italiano e alemão, Meloni e Merz: o comitê diretivo pragmático e ágil de que a União Europeia precisa para “pensar grande”, com a competitividade no centro das prioridades compartilhadas, “porque não há mais tempo a perder”.
Por essa razão, o novo grupo de trabalho informal destacou, em vermelho, três prioridades delineadas no documento de orientação preparado pela Itália, Alemanha e Bélgica: a conclusão do mercado único, a simplificação das regulamentações e a redução dos preços da energia, bem como uma política comercial ambiciosa e
pragmática. Todas essas prioridades estão presentes nos Conselhos Europeus, desde o início do atual governo italiano e precisarão ser exploradas mais a fundo pelo próximo Conselho Europeu, em março.
Entre essas prioridades, encontram-se as sugestões pessoais e políticas apresentadas por Meloni. Quando a primeira-ministra afirma que o “trabalho” realizado por alguns países membros, organizando-se antes das cúpulas, “beneficia a todos”, ela explica, sem controvérsia, que a visão compartilhada de método e mérito é um valor agregado, e não um fator de exclusão.
Em vez disso, a atenção geral deve se concentrar em outro ponto, ou seja, no fato de que as indicações fornecidas à Comissão são frequentemente obscuras e “se perdem, devido ao poder excessivo da burocracia, por causa do trílogo, porque o funcionamento” das instituições da UE “é muito complexo”.
O que é um trílogo? É uma negociação interinstitucional informal que reúne representantes do Parlamento Europeu, do Conselho da União Europeia e da Comissão Europeia. O objetivo de um trílogo é chegar a um acordo provisório, sobre uma proposta legislativa, aceitável tanto para o Parlamento quanto para o Conselho, os colegisladores. Esse acordo provisório deve então ser adotado pelos procedimentos formais de cada uma dessas instituições. Portanto, Giorgia Meloni afirma que este trabalho “não vai contra ninguém e, na verdade, ajuda a todos”.
A presença da força motriz germano-italiana nessas questões (sobre a qual o jornal Politico escreveu diversos artigos), ultimamente, existe e representa uma objetividade positiva, “mas não é algo feito contra ninguém”. A pré-cúpula teve boa participação, um sinal de “ampla conscientização sobre o assunto e sobre o papel que a Itália pode desempenhar numa fase particularmente importante e delicada”. Tudo isso acontece poucas horas antes da 62ª Conferência de Segurança de Munique (MSC), cujo foco principal será as relações transatlânticas e a situação na Ucrânia.
Certamente, como Meloni enfatizou, as alianças na Europa são frequentemente voláteis e há questões em que algumas nações unem forças. Mas não devemos cometer o erro de considerar a competitividade uma alternativa à coesão, “porque sem coesão deixamos para trás territórios inteiros, não há infraestrutura adequada e, portanto, minamos a competitividade, e, nisso, nos encontraremos em acordo com os países do Sul, em vez que com os países do Norte”. De fato, este é outro elemento programático compartilhado com Berlim e que alimenta a tese da chamada maioria Giorgia.
O documento não oficial, belga, portanto, serve como um teste decisivo para essas e outras questões, poucas horas antes da partida da primeira-ministra italiana para a Etiópia. Por sua vez, Macron tenta reafirmar a relevância do alinhamento franco-alemão contra a fragmentação da capital da União, mas a mensagem que Alden Biesen envia aos Estados-membros é bem diferente.
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