Um dos think tanks alinhados ao Kremlin alertou para a situação do sistema financeiro do país, prevendo o colapso do sistema bancário russo

Por  Edoardo Pacelli

Vladimir Putin (foto Kremlin)

Há algo profundamente estranho nas finanças russas. Os jornais noticiaram os primeiros colapsos reais no sistema bancário russo, que já não consegue lidar com a massa de empréstimos, que estão arruinando os balanços. Dezenas de milhares de milhões, em empréstimos concedidos a empresas, especialmente as ativas no setor da produção de armamento, começaram a deteriorar-se ao longo do tempo, devido às elevadas taxas de juro, impostas pelo Banco da Rússia, que tornaram os reembolsos quase impossíveis. Mas esta é apenas parte da história. A verdade é que a economia russa já não se sustenta. E não se trata apenas de uma sensação, mas de uma verdade – a verdade dos números, como os do Fundo Monetário Internacional, que prevê para este ano um crescimento de não mais de 0,8% para a economia russa.

Qual é o problema? É simples: até mesmo o setor financeiro, que certamente não se encontra em estado de desordem, está começando a admitir o fracasso. Há alguns meses, alguns banqueiros proeminentes começaram a levantar dúvidas sobre a estabilidade da Rússia. Executivos no topo de bancos, como o VTB, o primeiro banco privado da antiga URSS, estavam entre eles. Agora é a vez dos economistas. Mas não aqueles, tradicionalmente críticos do Kremlin, e sim os mais alinhados. De acordo com um relatório do Centro de Análise Macroeconômica e Previsão de Curto Prazo (TSMAKP), um think tank tradicionalmente próximo a Moscou, cujo chefe, Dmitry Belousov, é irmão do ministro da Defesa, Andrei Belousov, os sinais de recessão e de uma crise bancária sistêmica na Rússia estão se intensificando. Com base em dados atualizados até janeiro de 2026, o centro alerta, em seu relatório, que os riscos à estabilidade financeira passaram de ameaças teóricas para uma realidade consolidada.

A crise bancária sistêmica prevista anteriormente foi agora oficialmente registrada”, observaram os especialistas, acrescentando que uma crise de crédito incobrável já havia sido documentada recentemente. “Embora pouco mais de 10% do total de ativos e carteiras de crédito do sistema bancário sejam considerados problemáticos, a situação é significativamente mais grave em setores específicos. Em algumas áreas, a gravidade dos danos pode ser maior. Por exemplo, a porcentagem de empréstimos problemáticos entre as Pequenas e Medio Empresas é de 19% em média.

Tudo isso está causando pânico entre correntistas e poupadores. E o próprio TSMAKP admite isso, destacando “a fuga de depositantes como fator de risco que pode desestabilizar os saldos de liquidez dentro do sistema bancário. Nosso sistema de alerta precoce registra altos riscos de uma corrida bancária”, alerta o relatório. Especialistas atribuíram a falta de um movimento de massa, até o momento, à natureza oculta da crise. “Devido à natureza, por ora opaca, da crise bancária, esse efeito ainda não se manifestou. No entanto, se os processos da crise se intensificarem, esses riscos poderão surgir.”

E agora, quem vai contar isso a Vladimir Putin?