Quinze anos atrás, o mar Mediterrâneo foi sacudido por incruenta batalha, que provocou a queda de Kadafi, o chefe da Líbia. Naquela…

Sete anos atrás, o mar Mediterrâneo foi sacudido por incruenta batalha, que provocou a queda de Kadafi, o chefe da Líbia. Naquela época, imperava um período de tranquilidade em todos os países da África do Norte e do Oriente Médio que beiravam neste mar. De
repente, surgiu a assim dita Primavera Árabe, que destruiu todos os equilíbrios na região.
Tunísia, Egito, Síria e Líbia ficaram abalados por sequela de rebeliões que, pelo mundo ocidental, foi acreditada como busca de democracia. Na realidade a área estava se tornando centro de disputas que nada tinham ou têm a ver com a democracia.

Ataque ocorreu após líbio
decidir substituir a moeda francesa

Um país, a Líbia, que alcançou, com paciência, a conquista do respeito da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos, depois de ter abandonado as atividades terroristas dos anos 1970 e 1980, tornou-se, de repente, objetivo de uma desestabilização que trouxe, como consequência, uma série de problemas que, sobretudo nesses dias, estão afetando alguns países da União Europeia, o problema dos assim ditos refugiados.
Vamos, então, tentar descobrir qual foi o motivo principal dessa sanguinosa fase, na região mediterrânea: Kadafi era um ditador sanguinário, nós o sabemos. Mas, tendo grande visão política e sólida cultura histórica, ele encontrou a receita para pacificar as lutas internas da Líbia. Rios de dinheiro foram despejados nas várias tribos rivais; aumentou, no país, a renda média per capita e criou ótima infraestrutura logística.
Ele sabia como restaurar a paz interna, que beneficiou grandemente a Líbia e o Mediterrâneo. Claro, embora com um custo muito alto, também beneficiou a Itália. Autor da pax libíca, fez e providenciou grandes negócios nessas terras.
Então, o consórcio europeu e norte-americano, liderado pela França, decidiu eliminar Kadafi. Todos sabemos como o ataque foi decidido e estamos a par do profundo pesar de Berlusconi, então primeiro-ministro italiano e autor do histórico acordo com o chefe líbio, que se opôs à intervenção da guerra europeia.
Sarkozy atacou a Líbia sem sequer avisar a Itália. Seus aviões violaram o espaço aéreo italiano para bombardear a Líbia.
A história revelou a razão para este repentino ataque: no dia 2 de abril de 2011, o funcionário do Departamento de Estado Sidney Blumenthal enviou um e-mail para Hillary Clinton em que a informava de que Kadafi tinha decidido substituir o franco CFA*, usado em 14 das ex-colônias, por uma moeda pan-africana. Sua finalidade era libertar a África do jugo econômico-financeiro francês, já que, naquele exato momento, até 65% das reservas econômicas presentes na França provinham das antigas colônias.
Eliminado Muammar Kadafi, a Líbia explodiu, e as muitas tribos de que é composta retomaram às antigas oposições, criando governos diferentes e distintos, agora liderados por uma cabeça, mas, amanhã, por outra. O intento francês é muito claro: substituir, naquela região, a Itália, desestabilizando o atual governo de Trípoli, democraticamente eleito, e ajudando, com armas e conselheiros militares, os rebeldes da Cirenaica.

* O franco CFA é uma moeda corrente usada em 12 países africanos, anteriormente possessões francesas (Camarões, Costa do Marfim, Burkina Faso, Gabão, Benim, Congo, Mali, República Centro-Africana, Togo, Níger, Chade e Senegal), sendo também usado na Guiné-Bissau (uma antiga colônia portuguesa) e na Guiné Equatorial (uma antiga colônia espanhola), perfazendo um total de catorze países. CFA era a abreviação de colônias francesas da África (em francês, colonies françaises d’Afrique), agora o mesmo acrônimo está para Communauté Financière Africaine (Comunidade Financeira Africana).