Apesar dos esforços da União Europeia para reduzir riscos econômicos, empresas do continente seguem fortalecendo seus laços comerciais e produtivos com a China

Bandeiras da União Europeia (foto CGTN)
Uma desconexão lenta, mas imparável, está se desenvolvendo na indústria e na política europeias, transformando o mercado global. Por um lado, a União Europeia tenta salvaguardar o “made in Europe” através do derisking, redução de riscos; por outro, muitas empresas europeias continuam a fortalecer seus laços com a China.
A União Europeia está tentando, por todos os meios, impor regulamentações que obriguem as empresas a priorizar a produção europeia em detrimento da chinesa. Ao contrário, números crescentes de empresas europeias não só mantêm, como também expandem sua presença na China, para que possam permanecer competitivas no mercado global. As empresas europeias, especialmente as alemãs, sentem-se constantemente pressionadas pela concorrência chinesa.
Nesse contexto geopolítico, a tentativa da Europa de conter o avanço do dragão da economia mundial parece verdadeiramente utópica. A esse respeito, uma pesquisa realizada, relatada em relatório da Câmara de Comércio da UE na China, constatou que mais de 30% das empresas expressaram a intenção de realocar a produção para a China, com 37% admitindo que, nos últimos dois anos, consolidaram suas cadeias de suprimentos. Portanto, surge uma descoberta significativa: mais de 68% expressam a intenção de permanecer ou mesmo aumentar suas operações na República Popular da China.
Além disso, um quarto das empresas, embora expandindo suas operações na China, busca fornecedores alternativos em outros países. De todas as empresas pesquisadas, apenas 7% afirmaram ter começado a realocar e construir novos centros de produção em outros países.
O fator predominante na tomada de decisão continua sendo a redução de custos, não tanto em função dos custos trabalhistas, mas pelo fato de as instalações de produção na China serem mais eficientes do que as de outros países. Em relação à mão de obra, existe um fenômeno conhecido como mismatch, ou desajuste de mão de obra, que descreve a discrepância entre as habilidades possuídas pelos trabalhadores e aquelas exigidas pelas empresas. Esse problema está cada vez mais disseminado globalmente, afetando 40% dos países da OCDE. Em razão desse cenário, que afeta as economias de muitos países importantes, diversas indústrias têm adotado a automação, obtendo resultados significativos.
Diante dessa situação, fica a dúvida sobre o que a Europa pretende ser. Cinco países europeus pressionaram fortemente a Comissão Europeia, principal órgão executivo da UE, para acelerar a criação de um regulamento que obrigue as empresas europeias a comprar, pelo menos, 40% de matérias-primas e produtos europeus. O objetivo desta iniciativa é conter a importação de produtos da China, produtos produzidos com generosos subsídios. Esses países são França, Espanha, Holanda, Lituânia e Itália.
É interessante notar que a Alemanha não está entre esses países. Essa ausência se explica menos por razões políticas e mais por fatores econômicos. Um estudo da Friedrich-Naumann-Stiftung für die Freiheit (Fundação Friedrich Naumann para a Liberdade), com base em dados do Escritório Federal de Estatística da Alemanha (Statistisches Bundesamt), destaca a força dos laços econômicos entre Berlim e Pequim.
Enquanto a Europa busca reduzir sua dependência da China, a Alemanha segue na direção oposta. Segundo a Fundação Friedrich Naumann, a participação das importações chinesas aumentou, desde 2023, em diversos setores considerados estratégicos pelo próprio governo alemão em sua política para a China. Entre eles estão metais e elementos de terras-raras, baterias de lítio, componentes fotovoltaicos e ingredientes farmacêuticos, incluindo antibióticos.
Paradoxalmente, em vez de diversificar suas fontes de abastecimento em áreas críticas, a Alemanha tem ampliado sua dependência da China, tornando-se, consequentemente, mais vulnerável.
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